Velocidade e flexibilidade redesenham as cadeias produtivas da moda
14/10/2026

“Modelos produtivos: velocidade, flexibilidade e proximidade com o mercado” foi o tema do painel 3 do Congresso Internacional Brasil 2026 e abordou a necessidade de transformar as cadeias produtivas para responder com mais agilidade às mudanças do consumo. O debate trouxe como como tecnologia, novos modelos de produção e reorganização dos fluxos globais podem aproximar a indústria das demandas de um consumidor em cenários de imprevisibilidade

Bill McRaith, consultor executivo da Future-Proof Fashion, abriu o painel e comentou que a transformação passa pela adoção estratégica de diferentes modelos de produção –offshore, nearshore e onshore–, de acordo com as necessidades de marcas, varejistas e fabricantes. “As cadeias de suprimentos e os processos internos de marcas e varejistas já não atendem às necessidades de um consumidor volúvel e que muda rapidamente”, avalia. “Precisamos encontrar um equilíbrio entre offshore, nearshore e onshore”, complementa.
Rodrigo Braga, fundador e CEO da DressTo, apresentou a trajetória da empresa que está espalhada por todo o Brasil, em 41 lojas. “Nossa produção é toda nacional, importamos apenas uma pequena quantidade de matéria-prima. Trabalhamos com fornecedores de tecidos no próprio país, com velocidade que atenda as nossas demandas”, diz. A Dress To tem capacidade de produzir três milhões de peças por ano, segundo Braga e está focada na ampliação da presença internacional que foi iniciada em 2024.

Alex Zucchi, presidente da CEMATEX, comentou que a transição que está acontecendo na indústria é guiada por por quatro fatores que atuam ao mesmo tempo: regulação, comércio, tecnologia e demanda. “A tecnologia está mudando o que e como as máquinas podem fazer”, destacou. Segundo ele, a redução dos prazos de entrega permite responder melhor a uma demanda imprevisível e diminui a dependência de estimativas de longo prazo. As marcas buscam maior variedade, lotes menores e trocas rápidas entre produtos e materiais.

“É possível ser inovador em toda a cadeia de valor”, afirma Luca Sburlati, presidente da Confindustria Moda, da Itália. Ele defende que a estratégia produtiva precisa considerar as diferentes categorias de produtos e perfis de consumidores. No mercado italiano, segundo ele, a atenção está cada vez mais voltada para uma cadeia de suprimentos de excelência, na qual qualidade e design permeiam todas as etapas, das matérias-primas ao produto final."Precisamos melhorar a cooperação com países que produzem matérias-primas. E não somente em volume, mas em excelência", ressalta. Sburlati também enfatizou que o ecossistema italiano movimenta cerca de 100 bilhões de euros por ano e reúne tanto marcas globais, além de outras médias, grandes e cerca de 30 mil pequenas.
A mediação do painel foi de Matthijs Crietee, secretário-geral da International Apparel Federation (IAF).
Fotos: Carlos Pereira | Capture