Nova geografia da indústria abre oportunidades para economias emergentes
14/10/2026

A reorganização das cadeias globais de produção e as oportunidades para as economias emergentes foram debatidas durante o primeiro painel do Congresso Internacional Brasil 2026, realizado no Centro de Convenções de Fortaleza, no Ceará, de 14 a 15 de outubro. Com o tema “A nova geografia da indústria e as oportunidades para as economias emergentes”, a discussão reuniu especialistas e executivos internacionais, sob mediação de Chris Alt, presidente da American & Efird (A&E).

Varun Vaid, diretor-executivo da Wazir, destacou que a redistribuição da produção mundial depende de fatores que vão além dos custos de mão de obra e das mudanças tarifárias. Ao analisar o posicionamento do Brasil, apontou a integração da cadeia produtiva e a dimensão do mercado consumidor como vantagens competitivas, mas ressaltou o elevado custo do financiamento como obstáculo à atração de investimentos industriais de longo prazo. “A competitividade é um conjunto de fatores, não um único parâmetro”, afirmou.

Na sequência, Robert P. Antoshak, representante da Grey Matter Concepts, abordou as mudanças nas estratégias globais de fornecimento, cada vez mais orientadas pela diversificação e pela gestão de riscos. O executivo destacou oportunidades para o Brasil e outros países latino-americanos, especialmente pela proximidade com o mercado norte-americano e pela possibilidade de reduzir os prazos de entrega. “A região deve competir em velocidade e previsibilidade, não em preço”, ressaltou.

Chen Hao, secretária do Conselho de Administração e gerente-geral do Centro de Mercado de Capitais da Bosideng, apresentou a experiência da empresa chinesa no desenvolvimento de produtos especializados e na construção de marcas. A executiva destacou a importância do conhecimento do consumidor, da colaboração internacional e das práticas ESG para ampliar a competitividade. “Uma empresa pode contribuir com design especializado, conhecimento sobre materiais ou sobre seu mercado doméstico. A oportunidade depende do valor que ela pode agregar à relação”, afirmou.

Encerrando as apresentações, Marco Branquinho, diretor-presidente da Vicunha, defendeu que o Brasil pode ampliar sua participação nas cadeias globais por meio da integração entre os diferentes elos produtivos, da especialização e da capacidade de responder rapidamente às demandas do mercado. Segundo ele, a proximidade geográfica, isoladamente, não garante competitividade, sendo necessário coordenar processos, fornecedores e operações logísticas. “Eu acredito que a nossa grande oportunidade reside no valor do tempo. Aquele prazo entre a necessidade específica do cliente e a disponibilidade do produto”, destacou.
Fotos: Carlos Pereira | Capture