Paulo Portas destaca papel estratégico do Brasil no cenário global

14/10/2026

A instabilidade geopolítica, as disputas comerciais e as transformações econômicas estão redesenhando as relações internacionais. Nesse cenário, o Brasil tem condições de fortalecer sua posição global, desde que preserve a autonomia e diversifique seus parceiros comerciais. Essa foi uma das mensagens de Paulo Portas, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros e ex-vice-primeiro-ministro de Portugal, na conferência “Geopolítica e Geoeconomia: tendências de um mundo em transformação”, que abriu o Congresso Internacional Brasil 2026, no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza. 

Convidado pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), pela InternationalTextileManufacturers Federation (ITMF) e pela InternationalApparel Federation (IAF), realizadoras do evento, Portas reuniu referências históricas e análises sobre os principais atores da economia mundial. O congresso reúne empresários e lideranças do setor têxtil e de confecção do Brasil e do exterior, com o tema “Futuro em Movimento: Transformação, Inovação e Novas Realidades”. 

Brasil deve preservar autonomia comercial 

Na avaliação de Portas, o Brasil tem condições de manter relações equilibradas com diferentes potências. Ele destacou o superávit comercial brasileiro com a China e observou que, em 2025, a participação chinesa na economia do país aumentou, enquanto a norte-americana diminuiu. 

Conflitos e disputas comerciais 

Em tom crítico e bem-humorado, observou que, embora a inteligência artificial concentre preocupações, a desordem mundial é resultado de decisões humanas. “Foi criada pela redução da inteligência natural”, afirmou. 

Ao contemplar os desafios da economia chinesa, entre eles a baixa inflação e o envelhecimento populacional, Paulo Portas lembra que a população da China poderá cair de cerca de 1,4 bilhão de habitantes atualmente para 700 milhões até o fim do século, caso se confirmem as estimativas demográficas das Nações Unidas. 

Nesse contexto, a robótica e a inteligência artificial tendem a desempenhar papel crescente na manutenção da produtividade e da competitividade industrial. A discussão reforça a importância da inovação e do capital humano para que países e empresas respondam às mudanças econômicas e tecnológicas. 

Fotos: Carlos Pereira | Capture