Futuro das fibras exige inovação, qualidade e sustentabilidade

14/10/2026

A origem da cadeia produtiva está no centro dos debates sobre sustentabilidade e competitividade da indústria têxtil. O Painel 2 do Congresso Internacional Brasil 2026 reuniu especialistas para discutir o futuro das fibras, seus atributos e as oportunidades para o Brasil no mercado global. 

Mediada por Uday Gill, consultor da GherziAmericas, a sessão contou com Andreas W. Engelhardt (The Fiber Year GmbH), Eduardo Ferlauto (Lojas Renner), Haroldo Cunha (Abrapa), Fernando Prudente (Bayer) e Carlos Fernandes (Abrafas). Segundo Gill, a produção mundial chegou a 132 milhões de toneladas em 2024, com tendência de crescimento até 2030. “Elas não são excludentes”, afirmou, ao destacar a complementaridade entre fibras naturais e químicas. 

Brasil no mapa global 

Para Engelhardt, o Brasil reúne condições para ampliar sua relevância no setor. “O país tornou-se o maior exportador mundial de algodão”, observou. O especialista defendeu a identificação de oportunidades para instalar novas unidades produtivas, diante das transformações previstas para segmentos como poliéster, viscose e algodão. 

Carlos Fernandes, presidente do Conselho da Associação Brasileira dos Fabricantes de Fibras Artificiais e Sintéticas (Abrafas), projeta produção global de 169 milhões de toneladas em 2030, sendo 69% de fibras sintéticas, 25% naturais e 6% artificiais. Para ele, a competitividade dependerá da combinação de atributos em escala industrial e a custos acessíveis. 

Qualidade e novas soluções 

Fernando Prudente, da Bayer, destacou indicadores de qualidade do algodão brasileiro na safra 2025/26: resistência de 95,9%, uniformidade de 91,6% e comprimento com índice de 94,8%. 

Haroldo Cunha, da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), defendeu inovação, comunicação e políticas públicas para ampliar a participação das fibras naturais. Segundo ele, novas tecnologias e misturas (blends) podem aliar conforto e bem-estar a maior resistência ao amassamento e ao desbotamento. 

Na Lojas Renner, a estratégia inclui matérias-primas circulares e regenerativas. Eduardo Ferlauto, diretor de sustentabilidade, afirmou que mais de 95,3% do algodão utilizado pela empresa possui certificação. O Programa de Algodão Agroecológico, iniciado em 2017 com o Instituto Lojas Renner, já beneficiou cerca de 398 famílias produtoras, com renda média mensal de R$ 6 mil por família. 

Fotos: Carlos Pereira | Capture