Indústria têxtil brasileira como foco de investimentos

15/10/2026

“Brasil: capacidades, cadeia de valor integrada e oportunidades de investimento” foi o tema do Painel 7 do Congresso Internacional Brasil 2026, realizado nos dias 14 e 15 de outubro, no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza. O evento foi promovido pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), pela International Textile Manufacturers Federation (ITMF) e pela International Apparel Federation (IAF). 

Participaram Rodolfo Margato, vice-presidente de Pesquisa Econômica da XP Investimentos; Marcelo Prado, diretor do IEMI – Inteligência de Mercado; Fábio Marimon, gerente da Unidade de Competitividade do Sebrae Nacional, eLaurent Aucouturier, consultor da Gherzi Textil Organisation AG. O painel teve a mediação de Fernando Pimentel, diretor-executivo da Abit. 

Cenário global exige cautela 

Rodolfo Margato destacou o cenário internacional desafiador, marcado por choques de oferta, inflação e juros elevados. Apesar das incertezas, considera que o Brasil apresenta vantagens relativas devido à distância dos conflitos internacionais, à neutralidade diplomática e às exportações de commodities. 

“Estamos diante de choques de oferta, de energia, com o petróleo na casa dos US$ 100, e de outros fatores que pressionam a inflação. O cenário global tornou-se mais complexo em 2026, com pressões inflacionárias e sobre as taxas de juros”, avaliou. 

O executivo também alertou para a desaceleração do varejo e dos serviços, o endividamento das famílias e os juros elevados, que inibem investimentos. “Até meados de 2027, o cenário deve continuar difícil. Não se prevê recessão, mas a perspectiva é de desaceleração”, ressaltou. 

Matérias-primas abrem oportunidades 

Marcelo Prado apontou o potencial do algodão, da viscose e do poliéster-viscose para ampliar investimentos e agregar valor à produção nacional. Segundo ele, o desenvolvimento industrial exige políticas alinhadas às características da cadeia brasileira. 

“O algodão é um dos segmentos que vêm sendo trabalhados de forma assertiva, com resultados muito importantes”, afirmou Prado, observando que 59% da produção têxtil e de confeccionados utiliza a fibra como principal matéria-prima. 

Sobre o poliéster, defendeu investimentos para superar gargalos industriais. “O Brasil é o maior produtor mundial de madeira, matéria-prima para a produção de viscose. No segmento de poliéster, é necessário reduzir os gargalos do refino para transformar o petróleo brasileiro em produtos de maior valor agregado”, destacou.

 

Pequenos negócios geram empregos 

Fábio Marimon apresentou dados do Sebrae sobre a participação das micro e pequenas empresas (MPEs) na indústria da moda. O levantamento aponta 138 mil empresas ativas, responsáveis por 565,9 mil empregos, com média de quatro funcionários por negócio. 

“São 138 mil micro e pequenas empresas ativas, gerando 565,9 mil empregos, o que corresponde a uma média de quatro funcionários por empresa”, afirmou.  

Segundo ele, 97,6% dessas empresas são microempresas.“Essas empresas respondem por 11,8% dos postos de trabalho no segmento industrial, o que confirma a importância da indústria têxtil e de confecção para a geração de empregos”, concluiu. 

Integração e sustentabilidade atraem investimentos 

Laurent Aucouturier apresentou resultados de estudo da Gherzi Textil Organisation AG, realizado em parceria com a Abit, e questionou por que investir no Brasil. Para o consultor, a cadeia produtiva nacional reúne condições para ampliar sua competitividade internacional. 

Entre os diferenciais, citou escala, integração, sustentabilidade, acessibilidade, flexibilidade e suporte institucional.“O Brasil não é simplesmente um fornecedor entre muitos. Os investidores precisam considerar que o país reúne atributos cada vez mais importantes, como resiliência, sustentabilidade e escala”, afirmou. 

 Fotos: Carlos Pereira | Capture