Emprego na indústria têxtil e de confecção interrompe trajetória de recuperação com fechamento de 1.777 vagas em maio

08/07/2026

A indústria têxtil e de confecção brasileira encerrou maio de 2026 com o fechamento de 1.777 postos formais de trabalho, revertendo o resultado registrado no mesmo mês de 2025, quando o setor havia criado 618 empregos. O desempenho negativo foi observado tanto na indústria têxtil, que fechou 592 vagas, quanto na confecção, responsável por 1.185 desligamentos, indicando perda de dinamismo em um período tradicionalmente marcado pela ampliação das contratações.

Embora o setor ainda acumule saldo positivo de 9,3 mil empregos formais gerados entre janeiro e maio deste ano, o resultado de maio acende um importante sinal de alerta. No acumulado dos últimos doze meses, a cadeia têxtil e de confecção registra saldo negativo de 10,8 mil empregos, refletindo um ambiente de negócios cada vez mais desafiador.

Esse cenário é resultado da combinação de juros elevados, crédito restrito e do forte avanço das importações, cujo crescimento supera o da demanda doméstica. Enquanto o varejo de vestuário permaneceu praticamente estável nos últimos doze meses, as importações convencionais cresceram 35,6%. As compras realizadas por meio de plataformas digitais, por sua vez, continuam avançando em ritmo ainda superior.

Além disso, a recente decisão de zerar o imposto de importação incidente sobre as pequenas encomendas internacionais amplia a assimetria competitiva enfrentada pela indústria brasileira. Na avaliação da Abit, a medida estimula o crescimento das compras externas justamente em um momento em que as empresas nacionais convivem com elevados custos financeiros, tributários e regulatórios, comprometendo investimentos, produção e geração de empregos.

Para a Abit, preservar uma indústria têxtil e de confecção forte, moderna e competitiva exige a construção de um ambiente de concorrência efetivamente equilibrado. Garantir isonomia tributária e regulatória entre produtos nacionais e importados, reduzir o Custo Brasil, ampliar o acesso ao crédito e fortalecer uma política industrial de longo prazo são medidas essenciais para estimular investimentos, preservar empregos e assegurar o desenvolvimento sustentável da cadeia produtiva no País.