Comércio têxtil global: tarifas, regulação e competitividade

15/10/2026

O painel 5 do Congresso Internacional Brasil 2026, no dia 15 de outubro, trouxe o tema “Comércio e regulamentação: o novo cenário”, e reuniu representantes do Brasil, Europa, Estados Unidos e China.

Dirk Vantyghem, diretor geral da EURATEX, representou o ecossistema têxtil na Europa e abriu as apresentações. “Como podemos ser verdes e competitivos mantendo a resiliência?”, questionou. Segundo ele, atualmente existe a prioridade a produtos feitos na Europa e aqueles que vem de fora devem estar de acordo com padrões de qualidade. No entanto, a Europa quer diversificar suas parcerias, renovando alianças ao redor do mundo. “Estamos gerenciando nossas fronteiras, com regras restritas, mas não estamos nos fechando”, reforçou.

Stephen Lamar, presidente e CEO da American Apparel & Footwear Association, apresentou perspectivas dos Estados Unidos à indústria da moda, com ênfase às tarifas aplicadas, nos últimos anos. “Somos 50 estados e temos diferentes políticas dentro de próprio país”, disse. “Certamente o governo americano apresentará mais tarifas e mais investigações para outros países”, complementou.

“As tarifas impostas pelos Estados Unidos para a China estão em torno de 30%, enquanto para o México não passa de 2%”, ressaltou Sun Ruizhe, presidente do China National Textile and Apparel Council (CNTAC). Ele defende que a cooperação entre países podem gerar benefícios para todos. “A visão míope de protencionismo deve ser evitada”, reforça. Ruizhe também disse que a indústria têxtil chinesa tem se concentrado no fortalecimento de suas próprias bases, focada em objetivos de médio e longo prazo.

O painel também contou com Fernando Pimentel, presidente emérito e diretor-Superintendente da Abit que fez considerações sobre as pautas apresentadas pelos demais participantes. “Todos têm agenda de regulação, de sustentabilidade, entre outros pontos. Falamos em novas maneiras de comercializar, inclusive sobre o comércio eletrônico que é crescente e está fora de agendas regulatórias”, pontuou. Segundo Pimentel, as exigências devem ser equivalentes para produtos que disputam o mesmo consumidor.

A mediação do painel foi de Rafael Cervone, presidente emérito da Abit.

Fotos: Carlos Pereira | Capture